O CARÁTER INICIÁTICO DO YOGA

“Se o assassino ao cometer um crime pensa que mata, se o homem, ao morrer, pensa que morre, nenhum deles compreendeu a verdade. O Ser Interno, não mata nem é morto.”
(Katha Upanishad, I, 2, 19)

A iniciação

O Yoga é pouco compreendido no Ocidente, no que se refere ao seu aspecto esotérico. Aqui, muitas pessoas que ensinam o Yoga tem apenas competência intelectual, conhecem as técnicas do Yoga, mas falta algo além disso, se queremos ser fiéis à tradição. Não é apenas com competência que se deve ensinar Yoga. Não é desse modo que ocorre na Índia, desde tempos imemoriais. Naquele país, para ensinar Yoga, o candidato a professor deve ter certas qualidades espirituais. Como disse o conhecido e erudito estudioso das religiões, Mircea Eliade:

“O que caracteriza o Yoga não é só seu lado prático, mas também sua estrutura iniciática. Não se aprende Yoga sozinho; é necessária a orientação de um mestre (guru). Na índia, todos os outros sistemas de filosofia, como também todo conhecimento ou ofícios tradicionais, são ensinados pelos mestres que, há milênios, transmitem oralmente as iniciações de pessoa para pessoa. Mas o Yoga apresenta de maneira mais marcante a característica iniciática porque, à semelhança das outras iniciações religiosas…

“Para o ensino do Yoga, a competência intelectual é um requisito indispensável, mas não o único. Há que se ter um “toque” espiritual.
O Yoga é algo que se desenvolve dentro de uma sampradaya. Esta palavra designa uma cadeia de mestres espirituais, formando o que se chama de parampara, ou seja, “de um para o outro”. Basta ver, por exemplo, a cadeia de mestres espirituais citada no Hatha Yoga Pradipika, Capítulo 1, Sutras de 4 a 9. Na Bhagavad Gita, Capítulo IV versos 1 e 2, há clara referência a uma cadeia discipular de mestres espirituais, um ensinando ao outro, formando uma sampradaya.

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