O ORIENTADOR ESPIRITUAL – “GURU”

Guru

O ideal é que o guru seja um mestre espiritual realizado, um sat guru. Não é fácil encontrar tal pessoa ao longo da nossa vida. Muitas vezes esse desencontro é uma decorrência do nosso despreparo espiritual. Muitos de nós não despertaram ainda para essa verdade ou para a necessidade de um orientador espiritual.

No Ocidente, dominado pelos valores democráticos, onde tudo deve ser “discutido” num clima de livre pensar, é mais difícil a presença do mestre acontecer. O verdadeiro mestre não se define como tal. O processo do qual estamos falando não é um processo democrático, como entendemos no Ocidente. Um mestre espiritual não pode ser definido por uma eleição, por uma aclamação. Tudo é feito num clima de muito respeito e, principalmente, no silêncio e no coração das pessoas, no íntimo de cada um, no qual ocorrem os processos espirituais.

O sistema iniciático de mestres e discípulos foi iniciado nos primórdios do período védico, por volta do IV milênio antes de Cristo. Nessa época, cada jovem discípulo passava sua infância e adolescência em companhia do mestre, estudando as escrituras sagradas. O mestre cuidava do bem-estar do discípulo e do seu crescimento espiritual. Em compensação, o discípulo tinha que obedecer certas regras, como honrar e obedecer ao guru como se fosse seu próprio pai. A castidade era mantida para a retenção da energia prânica denominada ojas. De tal sorte era profundo esse respeito que o Shiva Samhita, uma escritura do Hatha Yoga, diz sobre o assunto o seguinte:

“Não há dúvida que o guru é pai, o guru é mãe e o guru é Deus igualmente;
e como tal ele deve ser servido por todos com pensamentos, palavras e atos”

Certamente, nos dias atuais essas regras foram abrandadas, mas o respeito profundo entre mestre e discípulo continua a tônica do relacionamento entre ambos.

Na índia védica, aqueles que ficavam vagando sem encontrar seu guru eram chamados de “corvos num lugar sagrado”, segundo Feuerstein. Muitos ocidentais se encontram nessa posição, nos dias atuais.

Feliz era o discípulo que encontrava um mestre realizado nas escrituras védicas. Desse aspecto nasceu a identificação do mestre como autoridade nas escrituras. De acordo com os textos védicos o guru personifica ou encarna a presença do Absoluto, de Brahman. Esse sistema de educação guru-discípulo é chamado de guru-kula.

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