As torções no Yoga desempenham um papel crucial durante a prática: elas lubrificam as vértebras, ativam simultaneamente todos os chakras e massageiam nossos órgãos internos.
A seguir, saiba um pouco mais sobre essa categoria especial de asanas.
Benefícios das Torções no Yoga
Os yoguis descobriram os prazeres e benefícios das torções. Elas melhoram a circulação abdominal, tonificam os músculos abdominais, aliviam as dores nos quadris e ombros, aumentam o fluxo sanguíneo para os nervos da espinha, dando maior elasticidade e força à coluna, entre outros.
Também são de grande importância os efeitos nos discos da coluna, absorvedores de choques que separam o corpo das vértebras. Isso porque a rotação da coluna movendo-se numa torção, alivia-os. Em outras palavras, essas compressões e relaxamentos produzem uma ação parecida com a de uma esponja que permite às células dos discos absorverem nutrientes frescos e eliminarem as perdas metabólicas. Sem essa ação, os discos lentamente desidratam e eventualmente degeneram, causando a diminuição de estatura que observamos nas pessoas mais velhas.
Contraindicações
No entanto, é importante mencionar que a compressão dos discos nas torções pode exacerbar qualquer patologia dos mesmos. Desse modo, as torções são contraindicadas para qualquer pessoa com problemas neurológicos dos discos (insensibilidade ou dor aguda, formigamento nas regiões lombares, pélvicas ou nas pernas).
Inteligência Corporal e Torções
Para praticar torções com segurança é necessário cinesiologia precisa, isto é, movimentos livres e perfeitos dos ossos. Cada articulação deve abrir-se e estender-se a partir do centro, com cada osso e seu tecido conectivo correspondente, tendo uma inteligência independente. No Yoga, definimos essa inteligência como uma interação harmoniosa do sistema nervoso voluntário e a gravidade, para produzir movimentos do corpo com eficiência e equilíbrio.
Apesar de ser difícil experienciar a inteligência neste nível, sem ter muitos anos de prática, uma compreensão dos movimentos corretos, conduz à investigações interiores mais refinadas, dentro de seus próprios padrões cinesiológicos.
Pélvis e Peito – Centros de Criação das Torções
O segundo chakra (Swadhistana – centro pélvico) e o quarto chakra (Anahata – centro cardíaco) são os dois centros criativos que formam a inteligência postural. Da mesma forma, são também os centros de criação das torções.
Nas torções em pé ou sentadas, os centros pélvico e cardíaco giram na mesma direção. Enquanto nas torções deitadas ou inversas, esses dois centros giram em direções opostas. O resultado é uma contínua espiral de extensões que abre em sequência e suavemente cada vértebra da coluna.
Instruções para Torções
Região Pélvica
Movimentos pélvicos limitados causados por articulações rígidas e restritas são comuns em muitas pessoas. No entanto, a coluna deve permanecer sempre receptiva, isto é, os movimentos nunca devem se originar na coluna vertebral.
Preferivelmente, a coluna deverá sempre alongar-se e amaciar-se em resposta à ação ou movimento das pernas. Quando a torção é bloqueada na pélvis, a coluna perde sua ligação com as pernas. Então, para completar a postura, a coluna precisa outra ação de torção, geralmente nas articulações sacroilíacas. Como essas articulações, por serem delicadas, não foram feitas para torções, resulta quase sempre em dor e disfunção da articulação. Para evitar tais dificuldades:
- Maximize o movimento das articulações do quadril (praticando posturas que propiciem a abertura de suas articulações e tentando compreender todos os seus movimentos possíveis – flexão, extensão, adução e abdução, rotações internas e externas);
- Conheça suas próprias limitações nos movimentos: quando as articulações dos quadris são duras, não force a coluna para torce. Em vez disso, trabalhe para aliviar o bloqueio na articulação dos quadris durante a torção.
Região Lombar
Da pélvis, a torção flui para a região lombar, onde o feitio das vértebras lombares limitam sua rotação cerca de 60 graus. Esta parte da torção é facilitada pelo maior espaço entre os ossos e por uma curvatura normal. A região lombar, que inclui o abdômen e o diafragma e que corresponde ao 3º chakra (Manipura), deve ser continuamente alongada e suavizada. Movimentos posturais não devem se originar nesse local. Infelizmente, a inteligência postural de muitas pessoas está centralizada no abdômen, e a tensão resultante nos músculos abdominais derrama-se no diafragma, restringindo os movimentos da coluna e da respiração (note que os músculos abdominais devem ser tonificados, eles devem prover suporte estrutural. Essa elasticidade se origina nos próprios músculos e é completamente diferente da torção causada pela mente).
Região Torácica
As vértebras torácicas têm o dobro do raio de ação rotacional das vértebras lombares (cerca de 120 graus), assim, a maioria das torções são experienciadas aí. A cintura escapular (ombros) e braços conduzem energia nessa região e aumentam a profundidade da torção. Para utilizar completamente o potencial dos braços, as escápulas devem ser completamente móveis. Quando a cintura escapular está fixa ao corpo, as articulações dos ombros ficam sobrecarregadas, mas muito pouco da torção chega até a coluna. Para a coluna girar no centro cardíaco, a energia deve fluir suavemente do braço para os ombros e depois para a caixa torácica. A onda rotacional gerada pelos membros superiores deve se harmonizar com a onda que flui da pélvis, misturando-se para produzir um movimento em espiral. O alongamento receptivo da região do 3º chakra permite a interação harmoniosa da região do 2º e 4º chakras.
Região Cervical
O pescoço e a cabeça devem receber a onda em espiral vindo do centro cardíaco. Infelizmente, as vértebras cervicais, que podem girar até 180º, raramente ultrapassam as vértebras dorsais.
Entretanto, o praticante deve superar a forte tendência para criar a torção com a cabeça. Afinal, devemos usar somente os braços e as pernas para criar asanas.
As Torções e o Cérebro
Nas torções e nos outros ãsanas, tanto o cérebro direito como o esquerdo atuam conscientemente. O lado esquerdo analítico investiga os detalhes da postura e explora as várias possibilidades cinesiológicas; o cérebro direito experiencia e cria padrões completos, capturando a essência que flui de cada ãsana. Quando esses dois aspectos da consciência trabalham juntos harmoniosamente, a mente pode constantemente refinar e ajustar a postura enquanto mantém um fluxo contínuo de inteligência. Esta integração requerendo grande concentração e a calma da mente – é um dos desafios da prática dos ãsanas e um campo fértil para a autorrealização.