Razão de Ser

Há uma razão de ser por trás de cada evento em nossas vidas. Porém, nem sempre descobrimos qual é ou podemos controlar as circunstâncias.

Entretanto, está sob nosso alcance e possível controle decidir como agir diante dessas situações. Principalmente, no quesito emocional.

A seguir, por meio de mais uma História da Índia Antiga, ilustramos isso.

Há uma Razão de Ser e Tudo Acontece para o MelhorRazão de ser

Um certo príncipe, depois da morte do pai, herdou o reino e uma grande fortuna em ouro. Isso ele gostou – gostou muito. Entretanto, o que ele não via com bons olhos era ter herdado também o velho ministro de seu pai.

Não que o ministro atrapalhasse as festas e prazeres do jovem rei, mas é que ele estava sempre tão sério quanto um velho gato. De tal forma que sua presença era o bastante para arrefecer o alegre espírito do rei e de seus companheiros.

Além disso, o ministro tinha o hábito de murmurar:

“Tudo o que acontece, acontece para o melhor, se soubermos como aceitá-lo.”

Isso irritava o rei:

“Como é possível que um forte resfriado ou uma queda de cavalo possa ser bom, sem falar em o melhor?”, perguntava ele a seus confidentes. Sob o mesmo ponto de vista, também dizia:

“O senso comum do ministro, através de longo uso, tornou-se tão embotado como sua cachola calva. Ou talvez ele tenha se tornado preguiçoso e, assim, inclinado a aceitar tudo o que vem sem protestar, afirmando para si mesmo que tudo acontece para o melhor!”

Contudo, o rei não podia permitir que seu principal dignatário permanecesse tão simplório. Assim que algum estimulante devia ser infundido nele. Por exemplo, um pequeno passeio ou um pouco de participação em algum evento excitante seria bom para ele, pensou o rei.

Então, um dia pediu ao ministro que se juntasse a ele na caravana que iria caçar.

“Muito bem”, disse o ministro, como sempre.

Imperturbável diante das Adversidades

Parecia que não seria um dia muito auspicioso. Um cogumelo de nuvens escuras surgira no horizonte quando o grupo iniciou a jornada. O príncipe pensou que elas seriam varridas pelo vento. Mas, justamente quando entravam na floresta, um forte vendaval partiu o galho de uma grande árvore que veio caindo, caindo, até desabar sobre o próprio rei. Felizmente, ele escapou com apenas um pequeno corte na testa.

Não obstante, gritou de horror. E, ainda por cima, os guardas e os cortesãos fizeram tal alarido que centenas de chacais, perto de um arbusto, juntaram-se à agitação.

O ministro, no entanto, sorriu e consolou o rei dizendo:

“Não fique perturbado, meu senhor. O que acontece, acontece para o melhor!”. E acrescentou:

“Tudo o que tem que fazer é aceitar todas as coisas no espírito certo.”

Nunca antes tinham estas palavras enfadonhas soado tão sinistras como então. O rei tremia de raiva e ordenou a seus homens para amarrar o ministro e jogá-lo dentro de um buraco e gritou alegremente:

“O que acontece, acontece para o melhor, não é? Agora prove a sua própria teoria. Adeus!”

A Compreensão do Jovem Rei

O rei e seus homens não tinham andado muito quando um temporal desabou, seguido de um pesado aguaceiro. Tudo ficou escuro. Ouvia-se terríveis estrondos de trovões e algumas árvores, abatidas por raios, caíam diante do grupo. Em pânico, os homens correram na confusão, deixando o rei sozinho.

De repente, o rei foi cercado por uma gangue de bandidos. Nas profundezas da selva, a gangue tinha a sua deidade. Era costume deles sacrificar um ser humano no altar da divindade, em um certo dia do ano. E este dia tinha chegado.

O rei tentou escapar, mas ele não era páreo para os marginais. Foi capturado e levado para o santuário. Estava para perder a vida, quando os bandidos observaram a ferida em sua testa. Desapontados, mandaram-no embora, pois os rituais exigiam que o homem a ser sacrificado não tivesse uma única ferida recente em seu corpo.

Logo a chuva parou. O rei descobriu que estava no coração da floresta e tentou se orientar para achar o caminho. Quando seus homens finalmente o encontraram, estava atordoado e muito faminto; grande foi a alegria de todos.

O rei, exausto, sentou-se numa rocha e mandou alguns de seus homens libertar o ministro.

Logo o velho surgiu, calmo como sempre.

O rei abraçou-o e, prorrompendo em lágrimas, disse:

“Ó meu sábio ministro, agora compreendo a verdade de suas palavras. Teria sido morto se não fosse a ferida na minha testa. Pode perdoar-me pelo desrespeito que tive por você?”

“Esteja certo, meu nobre senhor, que o que quer que aconteça, acontece para melhor. Eu vi os bandidos, mas eles não podiam me ver porque estava no buraco. Se tivessem me visto, certamente teriam me levado e agora minha cabeça e tronco não estariam mais juntos.”Razão de ser

Histórias da Índia Antiga

Adaptado pela Equipe IYTA