Ao praticarmos meditação com constância, disciplina e orientação apropriada, podemos alcançar experiências espirituais mais elevadas. Em outras palavras, na meditação, somos capazes de eliciar estímulos sensoriais, bem como de atingir novos níveis de consciência. Entretanto, aos não-iniciados que desejam praticar a meditação, não devem fazê-lo sem os conselhos de pessoas capacitadas para o ensino dessa disciplina.
Estímulos Sensoriais durante a Meditação
Primeiramente, podemos experienciar sensações distintas no corpo. Caso isso ocorra, é um sinal de que você está progredindo. Então, persevere. Afinal, o segredo está nas experiências interiores e nos fenômenos exteriores. Inclusive, durante as meditações, alguns inspiram-se e escrevem poemas. Se esse é o seu caso, não hesite em fazê-lo.
Tremores
É comum experienciarmos tremor nas mãos, nas pernas, no tórax e até no corpo todo. Esses tremores, que desaparecem em poucos instantes, ocorrem devido à súbita contração muscular que acompanha o fluxo da influência prânica desse novo estímulo nervoso (o prana subindo do tronco ao cérebro). Lembre-se que novas correntes nervosas se formam no decorrer do seu Sadhana, purificando os Nadis. Portanto, não tenha medo nem interrompa a meditação, pois já conhecemos essas etapas e vamos ultrapassá-las.
Bruscos temores também ocorrem, sobretudo quando o prana circula lentamente e as vibrações exteriores obrigam o mental a deixar seu estado de união com o Senhor, para descer ao nível de consciência físico. O espírito torna-se muito sutil durante a meditação e o pensamento se desenvolve no mesmo grau.
Estímulos Visuais
Diferentes espécies de luzes manifestam-se durante a meditação, indicando vários significados. Além disso, elas produzem sensações de alegria intensa, deixando sempre o desejo de uma outra visão.
Por exemplo, uma luminosidade branca entre as sobrancelhas, corresponde ao Ajna Chakra no corpo astral. Já luzes coloridas que aparecem em seu campo mental ou Chitakasa (cérebro), representam os estados não manifestados dos 5 elementos, a saber, terra, água, fogo, ar e éter. As luminosidades mais comuns são verdes e amarelas, enquanto as vermelhas e as azuis são mais raras.
Conforme evolui em sua prática, a luminosidade aumenta até tornar-se um sol. Contudo, essas luzes não são estáveis, aparecendo e desaparecendo pelo alto e pelos lados da cabeça.
Quando meditamos sistemática e constantemente por duas ou três horas pela manhã e de duas a três horas à noite, as luzes aparecem mais freqüentemente e permanecem por muito tempo.
O aparecimento das luzes prova que transcendemos nossa consciência física, atingindo um estado de semiconsciência, entre dois níveis.
As Visões na Meditação
Ademais, podemos também visualizar triângulos luminosos, ou ainda, uma luz brilhante e ofuscante.
O triângulo luminoso é um sinal de que o praticante é uma pessoa moderada e caridosa, que controla seu humor, seu egoísmo e sua paixão, abandonando todo o amor mundano.
Enquanto isso, a luz brilhante e ofuscante representa a luminosidade que emana do Sushumna para o coração, e nosso mental é incapaz de contemplá-la.
Estímulos Auditivos
Similarmente, podemos ter experiências auditivas durante nossa prática meditativa.
Sons do Anahata
A melodia ou som do Anahata (coração) é o som místico que os yogis escutam no primeiro estágio da meditação. Ele se chama Nada-Anusandhan, que quer dizer: a busca dos sons místicos. É um sinal da purificação dos Nadis, alcançado por meio do Pranayama e dos fluxos energéticos gerados.
O som do Anahata é também chamado Omkara Divani quando agita as vibrações do Prana no coração.
Dez Espécies de Sonsna Meditação
Pode-se entender os Nada (sons) de dez maneiras:
- O primeiro é parecido ao som do nome: Chini;
- O segundo é Chini-Chini;
- O terceiro é o som da campainha;
- O quarto é o som da concha bivalve;
- O quinto é Tantri, o som da lira;
- O sexto é o som do címbalo (pratos): Tala;
- O sétimo é o da flauta;
- O oitavo é o som do tambor: Behri;
- O nono é o do tambor duplo: Mridanga;
- O décimo é o som do trovão.
Experiências Espirituais Mais Elevadas
As experiências espirituais de alto nível não tem nada a ver com a simples percepção de cores e sons, mas sim com a alegria interior, a paz, e o equilíbrio.
Equilíbrio do espírito no sucesso e adversidade, no prazer e no sofrimento, na alegria e na tristeza. Os sentimentos de atração e repulsão devem desaparecer e dar lugar ao amor cósmico. O mundo inteiro deve ser conhecido como uma manifestação de Deus, pois os adeptos do Yoga sentem esse amor universal, e libertam-se de toda sorte, de medos e de sofrimentos.
Eis a verdadeira natureza das experiências espirituais superiores.
“Aquele que vê somente o Uno (Deus) durante a meditação, não vê a morte.”
Upanishads