O Pranayama é um aspecto fundamental da prática de Yoga. A seguir, abordaremos seu contexto histórico, técnicas e benefícios, bem como as precauções associadas a ele.
A Ciência por trás do Pranayama
O Swami Kuvalayananda (1883-1966) – pioneiro do Yoga científico – desafiou as crenças prevalentes de que o Pranayama se resumia apenas à absorção de oxigênio (O2). Afinal, suas descobertas ressaltaram também a importância do Dióxido de Carbono (CO2).
Além disso, ele foi responsável por comprovar os ensinamentos sobre este tema, presentes nos textos antigos. Esses e outros estudos foram conduzidos no Centro de Estudos Kaivalyadhama, fundado por este Swami, e com um legado centenário de promoção de uma vida holística por meio das práticas de Yoga.
Exploração do Pranayama
Ao aprofundarmo-nos nas nuances do Pranayama, inegavelmente, fazemos referência a textos antigos como o Hatha Pradipika e os Yoga Sutras de Patanjali. De tal forma que encontramos a própria definição de Pranayama nos Yoga Sutras de Patanjali:
तस्मिन् सति श्वासप्रश्वासयोर्गतिविच्छेदः प्राणायाम
“Estar nesse estado, dividindo o movimento da expiração e da inspiração é prolongar a respiração”
Assim também, encontramos a necessidade desta técnica e seus resultados específicos muito bem descritos no Hatha Pradipika:
“Com a postura estabelecida, o iogue, mestre de si mesmo, alimentando-se de comida salutar e moderada, deve praticar Pranayama, conforme instruído por seu guru”
Aliás, na época em que o Hatha Pradipika foi publicado, já havia uma demanda, e as pessoas estavam enfrentando problemas devido à saúde precária ou à prática inadequada de Pranayama:
“Com a respiração perturbada, a mente também se perturba. Ao controlar a respiração, o yogi obtém estabilidade mental”
Assim, aprendemos no Hatha Pradipika que, ao inventarem o Pranayama, eles descobriram os efeitos de cada narina independentemente, uma descoberta que também foi verificada por estudos conduzidos no laboratório Kaivalyadhama. Há uma lógica por trás de várias técnicas de Pranayama, como a regulação da respiração por diferentes narinas e os efeitos na temperatura corporal. Em outras palavras, respirar pela narina direita (Surya Nadi, ou canal energético solar) faz com que nossa temperatura corporal suba gradualmente, enquanto respirar pela narina esquerda (Chandra Nadi, ou canal energético lunar) a faz diminuir gradualmente.
Seus 3 Aspectos
Maharshi Patanjali explica que o Pranayama possui três aspectos: fluxo externo (expiração), fluxo interno (inalação) e um terceiro aspecto, que é a ausência de ambos durante a transição entre eles, conhecido como fixidez, retenção ou suspensão (Kumbhaka). Regulamos esses aspectos por local, tempo e número de repetições, com a respiração tornando-se lenta e sutil. Ele também explica o quarto Pranayama, que é o prana contínuo que transcende, está além ou se encontra atrás daqueles outros que operam nos reinos ou campos exterior e interior.
Os 8 Tipos de Pranayama
Há oito tipos de Pranayama, cujas origens e benefícios terapêuticos explicaremos meticulosamente:
“Pranayamas são de oito tipos, a saber, Sûrya Bhedan, Ujjâyî, Sîtkarî, Sîtalî, Bhastrikâ, Bhrâmarî, Mûrchhâ e Plâvinî”
Eles cuidam integralmente do bem-estar físico, psicológico e espiritual do indivíduo.
Os oito tipos de Pranayama surgiram gradualmente à medida que a variação começou a tomar forma, com os quatro Pranayamas sendo gradualmente complementados por outras técnicas de respiração quando o Hatha Yoga entrou em cena.
Seu Objetivo
O objetivo principal do Pranayama era evitar que os praticantes de Yoga adoecessem.
É importante mencionar que naquela época não existia a medicina alopática moderna. Ademais, o Ayurveda também estava em seus primórdios.
“Os Nâdis devem ser purificados de suas impurezas através da prática de Âsanas, Pranayamas e vários mûdras curiosos.
“Enquanto o Prana (respiratório) permanece no corpo, chamamos isso de vida. A morte consiste na expiração do Prana (respiratório). Portanto, é necessário controlar a respiração.”
Ou seja, enquanto o Prana estiver ativo em seu corpo, você está vivo e vivendo, mas assim que ele o deixa, você é considerado morto. É por isso que o Pranayama é tão importante.
Só para exemplificar, citando o Hatha Pradipika, enquanto houver impurezas em seu corpo, a energia não produzirá o resultado desejado do Pranayama:
“A respiração não passa pelo canal do meio (suṣumnâ), devido às impurezas dos nâdîs. Como então se pode alcançar o sucesso, e como pode haver o unmanî avasthâ?”
Método de execução
A prática de Pranayama começa com a execução do Anulom Vilom. A princípio, inspira-se pela narina esquerda e expira-se pela narina direita. Isso é conhecido como anulom vilom. Sugere-se praticá-lo no início, conforme a seguinte referência do Hatha Pradipika:
“Sentado na postura de Padmasana, o yogi deve inspirar o ar pela narina esquerda (fechando a direita); e, mantendo-o contido de acordo com sua capacidade, deve expelir lentamente pela narina direita (sûrya). Em seguida, inspirando lentamente o ar pela narina direita (sûrya), o abdômen deve ser preenchido e, após realizar o Kumbhaka como antes, o ar deve ser expelido lentamente pela narina esquerda (chandra).”
Frequência
No Hatha Pradipika, sugere-se a prática de Pranayama quatro vezes ao dia e à noite, ou seja, (manhã, meio-dia, tarde e meia-noite), até que o número de Kumbhakas em uma única sessão seja 80 e, considerando o dia e a noite juntos, seja 320.
Claramente, a intenção era realizar 80 ciclos de Pranayama. O propósito disso deveria ser a elevação espiritual. Não é fácil, mas as pessoas se dedicaram e se entregaram ao Pranayama para atingir o estado de Samadhi final.
Uma vez que alguém se dedica às práticas de Pranayama, às vezes começa a transpirar:
“O suor resultante do esforço da prática deve ser esfregado no corpo (e não enxugado), pois dessa forma o corpo se fortalece.”
Também há recomendações dietéticas, sugerindo-se o consumo de leite e derivados para quem está começando a praticar Pranayama. Quando a prática se consolida, essa recomendação não é mais necessária.
Precauções
O Hatha Yoga Pradipika também fornece avisos e precauções referentes à prática do Pranayama.
Orientação e Técnicas Adequadas
Há possíveis distúrbios que podem surgir de práticas incorretas, portanto devemos receber orientação de praticantes experientes.
Da mesma forma que domesticamos lentamente animais selvagens, o praticante de Pranayama deve compreender o efeito da energia prânica:
“Assim como leões, elefantes e tigres são controlados gradualmente, a respiração também é controlada lentamente, caso contrário (ou seja, sendo apressada ou usando muita força) ela mata o próprio praticante.”
“Soluços, asma, tosse, dor de cabeça, de ouvido e nos olhos; essas e outras diversas doenças são causadas por distúrbios respiratórios.”
Conclusão
Em conclusão, reafirmamos o poder transformador do Pranayama na promoção do bem-estar holístico.
Devemos abordar o Pranayama com reverência, enfatizando seu potencial para desbloquear a vitalidade física, a clareza mental e o despertar espiritual.
Yogavani – Maio 2025
Traduzido e adaptado pela Equipe IYTA Brasil