O Samadhi Pada é o primeiro de quatro capítulos dos “Yoga Sutras de Patanjali”. Ele aborda, em síntese, a contemplação. Ademais, define a essência do Yoga, seus objetivos e a natureza da mente, estabelecendo as bases para a prática.
O que é Yoga?
Conforme define o Samadhi Pada, Yoga é um processo de purificação mental. Melhor dizendo, é uma disciplina para controlar os redemoinhos da mente subconsciente ou inconsciente (yogah chitavritti nirodha). É importante mencionar que devemos praticar Yoga com a compreensão do processo de unidade com o vrittis (ondulações, flutuações ou modificações da mente, que incluem pensamentos, emoções e percepções), o que ocorre apenas na ausência do controle.
Samadhi
Samadhi é um termo sânscrito que se refere a um estado de profunda concentração e unificação da mente, sendo o objetivo final da prática de Yoga.
Patanjali lida com o conceito de Samadhi, classificando-o em vários níveis e subníveis, essenciais ao sucesso espiritual:
- Shraddha: devoção fiel;
- Veeraya: força do corpo e da mente;
- Smriti: capacidade de lembrar e aprender com as experiências anteriores, e:
- Prajna Samadhi: competência mental para os estados mais elevados.
Ele também classifica os buscadores/praticantes:
- Mridu: maçantes e incompetentes;
- Madhya: os médios, e:
- Adimatra: os excelentes.
Entretanto, em seguida, diz-nos que para aquele extremamente motivado e disciplinado, que não desiste, a realização é muito mais fácil.
O Ser Divino
Este Pada aborda o conceito do Divino, onde Patanjali também salienta a importância do pranava (OM) e da sua repetição. O pranava consiste em três sons sagrados: Akara, Ukara e Makara (AUM), que representam a criação, sustentação e dissolução, respectivamente. Patanjali afirma ainda que pranava japa (repetição do mantra) pode erradicar todos os obstáculos no caminho para alcançar a unidade com o Divino.
Além disso, Patanjali define o Ser Divino (Ishvara) como uma alma especial (Vishesha Purusha), que está além dos kleshas (aflições psicológicas inerentes) e karma. Ele também descreve Ishvara como o professor eterno, que está além de si mesmo e é a semente de toda a sabedoria.
Obstáculos na Obtenção do Samadhi
Patanjali é abençoado com a previsão, e adverte os candidatos que há muitos obstáculos no caminho do Yoga para kaivalya (liberação) e oferece as soluções para estes. Ele descreve os nove obstáculos enfrentados em sua sadhana (prática) e enumera-los. Ele também detalha as manifestações externas desses obstáculos internos.
A seguir, Patanjali passa a sugerir diferentes métodos para estabilizar e clarear a mente, como por exemplo:
- Focar na prática de um único princípio por vez;
- Adotar atitudes positivas, como:
- Maitri: simpatia para com aqueles que estão felizes consigo mesmos;
- Karuna: compaixão para com o sofrimento;
- Mudita: alegria para com o virtuoso, e;
- Upekshanam: indiferença para com os não-virtuosos.
- Concentrar-se obstinadamente no prana, nas experiências sensoriais e na luz interna, e;
- Aprofundar seu conhecimento através de uma compreensão do sonho e estados meditativos.
A Mente Cristalina
Em conclusão, ao estabilizarmos a mente inquieta, ou seja, ao alcançarmos os diferentes estágios de Samadhi, ela torna-se mais clara e cristalina. E é isso que, por conseguinte, transmite sinceridade às maiores experiências.
Quer relembrar o post anterior da série? Siga o link: “Os Yoga Sutras de Patanjali”.
Por: Dr. Ananda Balayogi Bhavanani
Adaptado pela Equipe IYTA