Neste ano, celebramos o Guru Purnima no dia 10 de julho.
A seguir, saiba um pouco mais sobre esta data, bem como sobre a relevância do guru no caminho espiritual de todo yogue.
Guru Purnima
É um festival religioso que homenageia todos os mestres espirituais e acadêmicos. Os hindus, sikhs e budistas celebram-no na Índia, Nepal e Butão.
Tradicionalmente, esta celebração ocorre na lua cheia do mês de Ashadha (calendário hindu), que, por sua vez, corresponde aos meses de junho e julho em nosso calendário. Esta também é a data do aniversário do sábio Vyasa, autor do épico Mahabharata e responsável pela compilação dos Vedas.
O Guru e o Yoga
A relação entre mestre e discípulo está presente em todas as práticas, sistemas e formas de autorrealização do hinduísmo, ocupando também no Yoga posição de destaque.
Guru significa “aquele que dissipa as trevas”. No caso, as trevas da ignorância (avidya), que é a causa fundamental do sofrimento. O guru representa, portanto, a luz no caminho do aspirante e o máximo de veneração e consideração que se pode dispensar a um semelhante lhe é reservado. A relação que mantém com seus discípulos transcende a que existe entre pais e filhos, entre esposos e entre amigos. A literatura do Yoga está repleta de histórias relatando o culto que se presta à pessoa venerada do mestre.
Tradição
Pela tradição, o menino indiano era levado para morar e estudar com um mestre em condição de máxima receptividade, em lugares conhecidos como gurukulas. O ensinamento recebido não era pago em dinheiro mas em serviços ao mestre, por um sentimento genuíno de gratidão, e um laço de amor os ligava.
O Guru, o Discípulo e o Sadhana
Mesmo o discípulo que deseja trilhar esse caminho necessita de condições mínimas, sendo uma delas a atitude chamada antevasin – aplicação e fervor – para que com o passar do tempo venha a se transformar num adhikari, ou seja, um discípulo em estado de maturidade espiritual.
Ademais, é preciso obedecer o sadhana, que é o caminho de cada um, a prática específica prescrita pelo guru de acordo com a iniciação dada e a ser seguida com o maior afinco. Representa a instrução teórica e sua prática diária.
O discípulo não deve esmorecer no seu esforço, procurando evitar tudo que o afaste da meta e concentrando suas energias em seu objetivo.
O Verdadeiro Mestre
O preceptor espiritual ligado a uma corrente iniciática é de suma importância para guiar, aconselhar e fornecer o exemplo, a inspiração. No entanto, o verdadeiro guru é sempre o mestre interior de cada um, e seu Eu maior. Isso porque somente pode ser um guia aquele que realizou ele próprio a síntese, o integrar, o samadhi.
Em outras palavras, a presença do guru proporciona saktipata – transmissão de força – que, como a chuva, cai igual para todos. Contudo, como a chuva, o mestre faz germinar sementes quando sua gota cai sobre a terra fértil e não produz nenhum fruto ao cair sobre pedras, dependendo do discípulo aproveitá-la mais ou menos.
Parte do texto extraída do livro “Yoga Narayana – Maria Helena de Bastos Freire” e adaptada pela equipe IYTA