Nada Yoga

Frequentemente traduzimos Nada Yoga como o “Yoga do Som”. No entanto, a melhor definição para “som expresso” é Shabda, um termo que se refere àquilo que ouvimos pelo aparelho auditivo e interpretamos como ruído, sons ambientais, música ou linguagem.

Podemos definir Nada Yoga como a compreensão teórica e analítica da vibração primordial universal, juntamente com uma prática dedicada de sons em diferentes níveis do ser, com o propósito de alcançar a Unidade universal. Enquanto é possível captarmos Shabda através dos nossos sentidos, incluindo o sexto sentido da mente (Manas), somente percebemos Nada no “Silêncio do Coração”. Este é o “coração psíquico” do Anahata Chakra, a “roda de energia” do “som não produzido”. Por que percebemos o silêncio aqui, na área que física e fisiologicamente corresponde ao nosso coração e aos nossos pulmões? Qual é a relação entre o som do nosso coração batendo, a nossa respiração fluindo e o silêncio da sua vibração psíquica superior?Nada Yoga

Nada

Nada é uma vibração pura e eterna: sempre existiu, sempre existe e sempre existirá, pois é a essência vibracional do Universo. O termo sânscrito Nada expressa a qualidade de um “fluxo vibratório”, uma expressão da força vital e um instrumento para investigar a natureza da realidade. Essa vibração pura é tão sutil que emana nos níveis do corpo causal (o Karana Sharira), e do corpo astral (o Linga Sharira).

É complexo descrever essa frequência de vibração porque Nada é “sem forma” (Aroopa) e “sem nome” (Anaami), e não possui qualificações materiais (Nirguna), existindo “além dos Gunas“, as qualidades da natureza e da mente. Em outras palavras, mais do que uma substância quantitativa, Nada é uma essência qualitativa.

Nada, Silêncio e Ausência de Som

O silêncio da vibração causal é o Anahata Nada, o “som não produzido”, que existe antes de qualquer causa e é, portanto, causal. Contudo, não se trata da ausência de som, mas sim da absorção da mente na essência vibratória da realidade. Alcançamos essa reabsorção (Laya) por meio de um sistema gradual de prática (Sadhana) que se baseia no refinamento consciente e progressivo dos nossos sentidos, particularmente da audição, e da forma como nos relacionamos com o som, incluindo o som da nossa voz e a maneira como pensamos e emitimos sons. A consciência da percepção dos sons externos e internos transforma o sentido fisiológico da audição em escuta consciente, uma ferramenta preciosa para o autoconhecimento.

Nada e os Ruídos Mentais

Quando deixamos a mente subconsciente sem controle, ela cria um campo de ruído que obscurece nossa capacidade de experimentar a unidade com a vida. O fluxo descontrolado de memórias do passado e projeções para o futuro constrói uma matriz de vibrações que nos mantêm distraídos do que está acontecendo aqui e agora, no momento presente. No primeiro Pada do Yoga Sutra, Maharishi Patanjali nos ensina que Yoga é o aquietamento desse ruído:

“Yogaścittavṛtti nirodhah”

(Yoga é a cessação das turbulências da mente subconsciente)

Sempre que a mente consciente tenta lidar com a mente subconsciente, somos arrastados para o fundo – é por isso que Swami Gitananda explica o Citta Vritti como os “redemoinhos da mente subconsciente”. Antes que percebamos, somos puxados para o fundo do oceano. O processo do Yoga é o método para trazer essas atividades subconscientes e inconscientes para o nível consciente.

Nada e o Yoga

Graças à prática contínua, uma combinação de esforço e “desapego sereno”, o ruído interno diminui e aspectos mais profundos do Nada Yoga se revelam. Maharishi Patanjali nomeia esses dois princípios como Abhyasa e Vairagya:

“Abhyāsavairāgyābhyāṃ tannirōdhah”

(A cessação delas [das Chitta Vrittis] é alcançada através do esforço aliado à objetividade)

Passo a passo, os Sadhakas, buscadores da Verdade, aprendem a superar os “obstáculos” no caminho do Yoga, o que Maharishi Patanjali descreve como os Pancha Kleshas, ​​sendo o mais desafiador deles o “apego à vida e o medo da morte”, o instinto de sobrevivência de Abhinivesha. Existe uma conexão primordial entre o ruído das Citta Vritti e o Klesha Abhinivesha, e todos somos chamados a refletir sobre como isso se manifesta em nossas vidas.

Swami Gitananda costumava dizer que a maioria das pessoas sofre de “diarreia verbal” e, embora a imagem possa ser um pouco chocante à primeira vista, logo percebemos que isso é a verdade. A maioria das pessoas preenche suas vidas com ruído, para não pensar, muito menos se preparar, para a morte. A morte faz parte da vida e a prática do Yoga (Yoga Sadhana) é uma preparação saudável e feliz para este momento sagrado em nossas vidas. Quando somos capazes de superar o terror do vazio que tememos existir além do ruído, podemos relaxar completamente.

Mantras

No Gitananda Nada Yoga, a voz, que para a maioria das pessoas, incluindo praticantes e professores de Yoga, é um território relativamente desconhecido, é cultivada através da compreensão e prática dos fonemas sânscritos, que se manifestam a partir do som imortal do Pranava AUM:

  • Na articulação dos Bija Mantras, sons sagrados primordiais;
  • Na combinação dos Bija Mantras em Mantras mais longos, e;
  • Num repertório de cânticos devocionais, os Bhajans.

É uma Sadhana voltada para o refinamento sensorial, o autocontrole e o autoconhecimento. Ademais, todas essas “práticas sonoras” são um meio de alcançar o equilíbrio mental, silenciando as perturbações vibratórias internas e externas.

O resultado é um estado de calma e serenidade bem-aventurada que podemos experimentar por alguns segundos inicialmente, depois por alguns minutos e, com a graça do Guru, finalmente conseguimos manter em um fluxo ininterrupto como parte integrante de nossa vida cotidiana.Nada Yoga

Yogavani – Abril 2024
Trecho de Nada Yoga: A Essência Vibratória da Yoga do Som, de Dra. Sangeeta e Dr. Ananda
Traduzido e adaptado pela Equipe IYTA Brasil