A forma correta de executar um asana é fazê-lo com consciência. Em outras palavras, apenas posicionar o corpo numa postura, sem se preocupar com o posicionamento e alinhamento dos ossos, músculos e pele, e desconsiderando a respiração e a concentração, não é praticar Yoga.
O Asana como Ferramenta do Caminho do Yoga
Os asanas de yoga destinam-se a abrir o corpo, liberando os sistemas circulatório e respiratório, o que, por sua vez, acorda e fortalece o Eu Superior pela presença cósmica. Porém, muitos estudantes modernos de Hatha Yoga aproximam a arte às patologias dos mecanismos mentais, impondo o intelecto e a força de vontade ao corpo, sem sensibilidade às necessidades profundas das células e órgãos.
Nós não podemos controlar a Mãe Natureza. Mas também não podemos espaçar e perpetuar nossas induzidas patologias culturais. Devemos refletir de modo inteligente nos hábitos do corpo para aprender como eles afetam a respiração, circulação e consciência. No momento em que reconhecemos e estudamos nossa patologia cultural, conseguimos transformá-la em todos os níveis.
A Forma Errada
Consideramos um asana “errado” quando o cérebro se esforça para “fazer” a postura.
Em síntese, posturas realizadas de forma incorreta e sem consciência provocam desconfortos desnecessários ao corpo, o que, por sua vez, estressa a respiração e a circulação, assim como perturba a consciência. Dessa forma, a mente “luta” para executar a postura e isso não é Yoga.
O Asana Correto
A Dimensão Física
O ajustamento correto de um asana promove uma respiração adequada, abrindo a circulação, suavizando a sensibilidade dos órgãos e aquietando o cérebro. Enquanto uma base firme permite a sustentação do corpo com a coluna alinhada e alongada. Dessa maneira, o estudante pode permanecer na postura, desenvolvendo força e estabilidade. Ademais, por estar a respiração fluindo quietamente, o praticante pode sentir as sutilezas da postura e começar a abrir mais o corpo. Isto é
comunicação, na qual todas as várias células, nervos, órgãos e fibras dos músculos começam a trabalhar juntos conscientemente. Quando os músculos tencionados são liberados nos ossos, os ossos ficam mais fortes, o corpo se alonga, e o âmbito da liberdade aumenta.
Falando cinesiologicamente, quando forças antagonistas do corpo acontecem simultaneamente, os ossos e músculos se estabilizam e ambos asseguram a elevação das energias, que são recebidas pela coluna e transformadas numa espiral que flue num movimento de onda do cóccix ao topo do crânio.
A Dimensão Metafísica
Quando executamos um asana com consciência plena, respeitando os alinhamentos e mantendo a respiração tranquila e constante, tornamo-nos o universo, aberto para as criatividades espontâneas do presente momento e mais cheios de nós mesmos como egos isolados.
Como a lei cósmica das diferenciações demonstra, cada ser, cada corpo, cada momento no tempo é único. Portanto, não há modelo no qual possamos nos calcar.
Então, a pergunta para o praticante de asanas é: Como pode este corpo, este Atman, expressar a essência da postura, dada a realidade física do momento presente? Como nós poderemos começar a explorar a forma e ainda permitir que a respiração flua livremente, que o sangue circule plenamente, que a mente observe tranquilamente?
Como B.K.S. Iyengar estabelece no “The Tree of Yoga”: Não se deve ajustar o asana para sua estrutura corporal, mas o corpo deve ser moldado para os requisitos do asana. Assim, o asana terá o porte certo, físico, fisiológico, intelectual e espiritual.
Por Arthur Kilmurray (Estudante do Ramanand Patel de B.K.S.Iyengar)
Adaptado pela Equipe IYTA