Assim nos ensina o mestre Sivananda – II

Ensina o mestre Sri Swami Sivananda

A vida divina não é uma renúncia à vida normal e às suas atividades. É, de fato, a vida normal, ensina o mestre. O homem não é só carne; ele é tanto carne como espírito. Sua verdadeira natureza é divina. Devido à sua ignorância, o homem vê o seu corpo como sendo a única realidade, a despeito da sua imperfeição e da natureza temporária de sua existência. Através dessa identificação com o corpo e com a personalidade individual é que o homem se torna infeliz.

A vida divina indica o caminho para chegar-se à verdade atrás dos fenômenos, não negando-lhes o valor, mas afirmando a sua supremacia daquela sobre estes últimos e vivendo de acordo com a lei da integridade, compaixão e pureza. Pressupõe uma profunda compreensão da vida e amolda nossa atitude para com nós mesmos, com o lar e com a sociedade. É um modo de viver e não algo apartado da vida.

A vida divina não se confina aos conventos; a extensão de sua utilidade é melhor aquilatada no mundo ativo, a despeito das divisões criadas pelos valores materiais. Uma vida que é ativa, eficiente e espiritualmente vivida, sem apegos mundanos, sem motivação egoísta nem percepção tacanha, é vida divina. Não é preciso frequentar igrejas e templos para viver uma vida divina, mas o corpo, em si, tem de ser transformado em um templo móvel através da auto-cultura e da devoção a Deus.

Deus primeiro, o mundo depois e tu por último ensina o mestre. Há tanto egoísmo na vida que, na prática, o “eu” sempre vem primeiro. A auto-abnegação, sobreposta às trivialidades, e a autodisciplina, devem ser os primeiros passos a serem dados. Aonde quer que vás, não podes fugir do teu pequeno eu, não podes descartar- te da mente. Portanto, a necessidade mais premente é conquistar o pequeno eu e controlar a mente. A vida divina indica o caminho.

Purifica-te procurando a companhia de pessoas santas, pela repetição do nome divino e pela prestação de serviços desinteressados. Regenera-te, cultivando
as virtudes, fortificando a tua vontade, disciplinando os sentidos. Contempla, concentra-te, medita. Faz introspecção, cogita, raciocina. Que o divino nome
seja o teu bastão, a meditação o teu pão espiritual. Pratica, esforça-te sê sincero nos teus esforços. Autodomínio dar-te-á força, contando que não reprimas os
apetites primitivos mas antes os sublimes através da forma adequada de Sadhana.

Autorrealização é a tua meta. Nasceste para realizar Deus. Uma vida de bondade pura é uma vida divina. Deus é, na verdade, amor e pureza ensina o mestre. Quando a verdade fere, quando o amor se transforma em paixão, quando a pureza é falsamente interpretada como puritanismo, perdem a essência de suas naturezas. Vida espiritual não é vida fácil. Rezar o rosário em si ou fazê-lo automaticamente, não é espiritual. Requer uma boa quantidade de força interna e sinceridade.

Não precisas perambular pelas florestas e montanhas à procura de Deus. Ele está dentro de ti. Ele está em teu redor. Tens apenas de rasgar o véu e olhá-lo
em sua glória resplandecente. Renuncia ao egoísmo, orgulho e presunção. Teu coração é duro como a pedra. Tua mente moldável como a cera. Como podes vê-lo então? Recorre a um Mestre. Ele lhe mostrará o caminho. Prepara-te; este preparo é Sadhana. Fá-lo agora e chegarás à meta rapidamente.