A magia do Yoga

magia do Yoga

Prof. Oswaldo Marmo
Os mestres da Índia antiga eram desbravadores do espírito e da magia do Yoga, seres que foram tocados pela Luz do Dharma e dedicaram suas vidas na busca da compreensão de uma verdade maior que trouxesse respostas as inquietudes da alma, ou seja, o que somos nós, de onde viemos e para onde vamos. Nesta busca eles seguiram todos os caminhos, porque os caminhos para a Verdade são muitos, embora a Verdade seja uma só. Entretanto, nem todos chegaram a verdade, porque se contentaram em satisfazer o intelecto com explanações e discussões teológicas e filosóficas de pouca valia, sem a vivência e a experiência interior do Divino. Foi justamente a percepção deste aspecto que proporcionou a Siddhartha Gautama um ponto de mutação, permitindo que ele abandonasse todo o intelectualismo e chegasse a iluminação, tornando-se um Buda.

Yoga

A palavra yoga vem da raiz verbal sânscrita “yuj”, que significa “o ato de unir”, com referência tanto a um objetivo quanto a um método para atingi-lo. Mas, unir o que, com o que? A resposta depende de como entendemos a pergunta “o que somos”, e qual a experiência que temos para respondê-la. Eu havia lido bastante a respeito e pensava ter compreendido a resposta. Entretanto, durante uma experiência consciencial mais profunda, eu tive uma melhor compreensão de que não temos nada para unir, mas somente a necessidade de dissiparmos a ilusão da individualidade. Explico melhor, a compreensão de que somos “consciência pura”, eterna, infinita e imaterial, manifestada a imagem e semelhança do Eterno, Infinito, Imaterial Ser Divino – designado pelas palavras Sat, Cit, Ananda, que reside além do mundo emergente da cognição sensorial, é a verdadeira compreensão da unicidade apregoada no Yoga. Assim, de fato nada precisamos unir. Por isto, as darshanas e o Yoga em particular, buscam nos trazer a vivência consciencial da unicidade que reside além da ilusão da individualidade. Somos uma manifestação da grande Adi-Shakti, a Mãe Divina e na essência somos idênticos a Ela e a Ela voltamos quando dissipados os frutos das ações – que se constitui no que denominamos mente (manas) -, deixamos de ser muitos para sermos novamente um. Eles não são dois, dizem as escrituras sobre a magia do Yoga.

Esta é a maior aventura do ser humano, mas para vivenciá-la necessitamos da maestria que vem de um método, um método que nos ensine como viver a experiência consciencial profunda da Verdade Suprema, denominada anubhava ou atmabhava. Mas, jamais o método deve tornar-se mais importante que o objetivo, por isso cuidado com as armadilhas do caminho.

Os mestres do passado descobriram seus métodos, na etapa da vida em que, no isolamento da floresta (vanaprastha), usaram o Soma e substituíram os elementos materiais usados nos ritos e pujas, por elementos mais sutis, que eram vivenciados nos espaços conscienciais da “alma”. Assim da vivencia do vritti-spanda, através da prática da estimulação dos nadis pingala (ha) e ida (tha), para controle da vibração sutil do fogo interior, a serpente consciencial se manifesta, ascende e a Luz se faz. Foi assim que começou a nascer o Hatha, um dos caminhos que nos leva a conscientização da necessidade de um corpo veicular sadio, de uma mente vazia, e de um sentir interior ampliado pela completa inserção do núcleo consciencial, no espaço consciencial denominado buddhi. Assim, resumindo o método: seja eclético, não tenha preconceitos contra ideias espirituais ou religiosas, mantenha seu corpo sadio, aquiete sua mente, ame e deixe-se amar, lembrando que você não precisa de uma religião, nem de um guru ou mestre, você precisa de um método, disciplina e coração devocional, pois você e a Divindade não são dois Seres, A Deusa não está lá…, em um paraíso hipotético e distante, Ela é onipresente, está em tudo e em você, está contigo, portanto descubra-a dentro de ti mesmo, em“teu coração”. Isto é a Magia do Yoga!