Assim nos ensina o mestre Sivananda

mestre sivananda

Mestre Swami Sivananda nasceu em 8 de Setembro de 1887, na Índia sob o nome de P.V. Kuppuswami. Formou-se em medicina. Exerceu a profissão em Malaia, onde acabou por compreender o chamamento aos serviços de Deus. De volta à Índia, renunciou a tudo e se fez monge mendicante, percorrendo todo o país até Rishikesh, onde se abrigou num ashram às margens do Ganges. A 1º de Julho de 1924, foi inciado na ordem de Saniasa, e se tornou SWAMI SIVANANDA (Mestre Sivananda). Em 1930, realizou o SER. Em 1934, criou o seu próprio ashram, que apelidou de Ananda Kutir. Aí se dedicou a atividades diversas, vindo a criar o Divine Life Magazine,que o estimulou a criar a Divine Life Society, onde mais tarde criou o Yoga Vedanta Forest Academy. Em 14-7-63, retornou ao seio do Absoluto, ao ashram Eterno.
Deixou mais de 300 livros escritos e este ano estaremos publicando alguns textos do livro “Perfeição pelo Yoga” com o título:

ASSIM NOS ENSINA O MESTRE – I

Sri Swami Mestre Sivananda

Pureza moral e aspiração espiritual são os dois primeiros passos no caminho do devoto. Transigir com princípios de moral não se coaduna com os esforços para alcançar a auto-educação ou o bem – estar comum. O desejo e apego a valores mundanos – sendo nós o centro deles – são as principais razões da falta de firmeza em nossos princípios. Sem uma forte convicção nos valores morais, certamente não pode haver vida espiritual, nem mesmo uma boa vida.

Temos a tendência de dizer que a vida esta cheia de conciliações. Bem o pode ser para os homens de vontade fraca. O que se quer realmente dizer é que a vida deve ser imbuída de espirito de adaptabilidade e de condescendência. Não se pode comer uma mistura de areia com açúcar. Igualmente, se transiges com os princípios básicos que tornam a vida digna de ser vivida; se o fazes ou concordas com o que sabes ser errado, se passas uma esponja em tua consciência, então ser-te-á impossível progredir no caminho da vida divina.

mestre sivanandaA vida é toda dominadora. Onde quer que estejas, aonde quer que vás, não poderás fugir dela. Mesmo nos conventos não podes libertar-te dos problemas da vida. Numa gruta, encontrar-te-ás coma mesma mente perseguindo-te. O primeiro problema a ser enfrentado é, portanto, tua própria mente. Se estás em harmonia contigo mesmo, se tua mente é disciplinada, se os teus sentidos estão sob controle e os teus desejos refreados, notarás que o teu ambiente, também, tornar-se-á harmonioso.

Deliberação calma, pensamento enérgico, julgamento correto, coragem moral, integridade, compaixão, determinação e convicção, são as necessidades básicas para o aspirante espiritual. Sem uma vontade firme e discernimento, não pode haver qualquer progresso. Deve haver um ideal pelo qual viver, um ideal a ser alcançado.

Não podes dar expansão aos teus instintos inferiores e ao mesmo tempo pensar que estás levando uma vida espiritual, apenas por estares morando num convento ou praticando mecanicamente alguma forma de Sadhana. Continência sexual não é o único sinal de pureza moral. A mente deve ser pura, o coração limpo.

Paciência tolerância, magnanimidade, caridade, desapego, espirito de abnegação, prestimosidade e boa vontade de servir – deves possuí-los todos antes de poderes pensar em ser um aspirante espiritual.

Esvazia o teu ego. Só então podes estar cheio da Graça de Deus.

Em todos os momentos da tua vida estás dando expressão ao teu ego, de variadas maneiras. A cada passo denuncias o teu egoísmo e a tua vaidade.

Sempre que acontece falares, enxovalhas a verdade, devido à tua vanglória. Já procuraste conversar sem usar a primeira pessoa do singular?

A verdadeira humildade deve ser cultivada por todos.

O mais rico tesouro é o amor a Deus. Significa amor por toda a criação. Significa amor pelas virtudes, por tudo que é bom, nobre, puro e belo.

Não podes odiar um homem e ao mesmo tempo amar a Deus. Mesmo que não possas seguir o mandamento de Jesus “Ama teu inimigo”, pelo menos
podes remover a causa da sua animosidade, ser tolerante e perdoá-lo. O aspirante espiritual ou um homem realmente bom, não tem inimigos. São os defeitos do próprio indivíduo que provocam a inimizade nos outros.