Tipos de Meditação

tipos de meditação

Sri Aurobindo

Tipos de Meditação

O primeiro tipo é pensar num assunto em ordem lógica e continua. Quando, por exemplo, você quer encontrar a solução de um problema, vai passo a passo, de uma operação á outra, subsequentemente, até que finalmente chega á conclusão. O pensamento é retirado de todos os outros objetos e canalizado para uma única linha. Isto é uma espécie de meditação, embora não seja usualmente conhecida por este nome. Marca um progresso na formação da consciência humana. Pois, normalmente,a mente se move ao acaso, de momento a momento, os pensamentos correm de lá para cá em torno de múltiplos assuntos diferentes, contrários e contraditórios. Não há nem direção, nem consciência ou organização: é uma massa confusa de pensamentos incipientes e incompletos. Para começar, o controle e a organização dessa massa numa esfera limitada e numa direção Sri Aurobindo definida, a rejeição do supérfluo e do irrelevante e a disposição e o arranjo dos elementos requeridos constituem o primeiro exercício para o crescimento mental.Toda inteligência superior, todo domínio efetivo do poder de pensamento precisam desta disciplina. Nas circunstâncias atuais do mundo, a escola da vida enseja a melhor oportunidade para este desenvolvimento. Esta é uma meditação que deveria ser obrigatória e universal.

O tipo seguinte podemos chamar de concentração em vez de meditação. Aqui não seguimos uma linha de pensamento, mas fixamos o pensamento em um objeto imóvel. Significa um processo subsequente de retirara consciência de seu habitual movimento extrovertido e dispersivo. O pensamento é mantido num ponto e a atenção é ali focalizada: é uma atenção continua e ininterrupta, por exemplo, em torno de uma ideia, de uma frase (mantra) ou de uma imagem. Pode-se também concentrar num ponto físico, digamos, fixar o olhar na ponta do nariz ou num ponto externo luminoso etc. nesta disciplina, toda a mente fica unificada e focalizada: ou, tudo o mais é excluído, deixando-se apenas uma única coisa sobre a qual toda a luz da consciência parada como uma chama ereta e imóvel num lugar sem vento.

Há um terceiro estágio,quando a mente se torna um vazio, todos os pensamentos são lançados fora e as vibrações estão tranquilizadas. É um vasto silêncio cheio de uma luminosidade calma. A operação é difícil pois significa uma espécie de drenagem continua e metódica, ou rarefação que leva mais ou menos um longo tempo. Primeiro, você joga fora ideias e noções bem formadas,processos e produtos de raciocínio e julgamento, as ondas maiores, por assim dizer. Assim que estas se acalmam, você descobre que há ondas menores por baixo ou atrás – pensamentos meio–formados, ideias que desabrocham, noções fugidias e assim por diante. Quando estas são também aquietadas, você depara ainda com uma outra camada de ondulações menores de pensamentos, próxima a sensações, reações nervosas, vibrações de mente cérebro, preceitos rudimentares etc. etc.pode-se prosseguir assim, se não ad finitum, pelo menos por um tempo considerável. Por fim, chega-se ao que é praticamente um vácuo, uma mente silente para todos efeitos. Mesmo então é um processo árduo e difícil e pode não ser tão absoluto quanto se possa esperar.

Há outros tipos de meditação mais seguros e até mais fáceis para alcançar o mesmo fim. Assim, em vez de empenhar-se e lutar e impor a sua vontade sobre as ondas inquietas, você simplesmente relaxa, deixa-as de lado por assim dizer; espera e aspira e abre-se em direção ao Silêncio que paira acima; chama pelo silencio com fé e confiança e ele vem, frequentemente como uma inundação maciça,um fluxo glacial que automaticamente o domina, afogando-o e enchendo-o de alto a baixo.Existe, também, uma outra maneira: contactar, sentir a presença da Mãe. A presença da Mãe significa todas as realizações que aspiramos ver concretizadas, trazidas para baixo, perto de nós, dentro de nosso alcance humano. Não temos que andar por toda a parte, escalar alturas inacessíveis, labutar e extenuar-nos com sangue, suor e lágrimas para conseguir o que queremos: todas as possibilidades estão ali, ao nosso alcance, em nossa atmosfera; temos apenas que saber e perceber, abrir em nós algo para que elas afluam. Esta é talvez, a ação da Graça: silêncio, silêncio absoluto, não apenas na mente, mas em todo o nosso ser, que pode vir desta forma também.

O ultimo processo dá a chave para o quarto tipo de meditação, o tipo que é de fato recomendado por nós, não só por ser o mais fácil, porque segue a linha de menor resistência, como também porque dá a plenitude do resultado desejado. Em vez de tentar manipular a força mental com a própria vontade e o próprio esforço, em vez e procurar controlar e comandar a consciência, a melhor coisa a fazer seria permanecer quieto, tanto quanto for normalmente possível, sem lutar. Então, voltar o olhar para o outro lado, para o mais profundo ou mais elevado,tornar-se mais consciente da luz,da vontade que o trouxe para este caminho, animar-se com o deleite secreto, a aspiração flamejante que está em nós, por trás de todas as turbulências da vida e consciência superficiais. Esta presença e orientação, colocarão espontaneamente, diante de nós, os elementos e movimentos a serem rejeitados e os que são para serem aceitos e receber nosso consentimento sincero, aqueles que nos ajudam a praticar as ações necessárias. De fato, se você não resistir demais,ela eliminará o que é para ser eliminado e atrairá o que é para ser atraído. É desse modo que o instrumento será purificado e refinado. O silêncio inserir-se-á, pois essa é a base; mas não o silêncio apenas, porque ele será unificado com um novo dinamismo expressando a vontade do Divino; não haverá nenhuma escolha pessoal, nem por uma quietude absoluta, nem por mera atividade.