A Globalização do Yoga

A globalização doYoga

Palestra da Semana de Yoga na Câmara Municipal de São Paulo sobre a Globalização do Yoga
Por Swami Pranavananda

Queridos amigos,
Antes de tudo deixe-me agradecer-lhes por ter tão gentilmente convidado meu assistente e este outro colaborador para estarem aqui e agora com vocês para vivenciar sua grande cordialidade e hospitalidade.

Sim, na verdade elas me lembram da hospitalidade que se tem na Índia, minha querida pátria adotiva.

Gostaria de compartilhar com vocês uns poucos pensamentos que tive enquanto sentado em nosso. Ermitério nas nossas verdejantes Colinas Kolli ao Sul da Índia pensando no encontro que teríamos numa terra tão distante… Brasil… América do Sul.

O que não faz tanto tempo, não era ainda conhecido no resto do Mundo. O que são algumas centenas de anos comparados a bilhões de anos de existência do planeta!!!?

Este pequeno planeta chamado Terra onde cerca de seis bilhões de nós estão reunidos, tornou-se um Povoado, se bem que um grande… um Povoado Global.

Graças ao Cérebro Humano e sua tremenda habilidade de inventar, aviões que transformam distâncias em algumas horas de nosso país…e, até mesmo algumas vezes, em poucos segundos via Internet. Não há uma só cultura que não esteja ao alcance de qualquer um de nós.

Certamente, não há uma filosofia, nem uma religião sobre as quais não possamos obter imediatamente uma informação detalhada.

Aquilo que no passado foi um privilégio de poucos dotados de dinheiro e tempo para gastar, há duzentos anos, ou mesmo poucas décadas atrás, agora é o de muitos, suficientemente curiosos para aprender e que também o conseguem por pouco dinheiro.

A população cresceu tremendamente desde o último século e continuará crescendo ainda mais apesar dos esforços de algumas nações como Índia e China em reduzir o índice de natalidade.

Isto resultou numa infindável procura por terras mais cultiváveis levando a alarmante redução dos Pulmões de nosso Planeta Terra: “a Floresta”.

A Educação bem como a Higiene se espalharam.

A habilidade em combater doenças mortais aumentou notoriamente a longevidade dos homens e das mulheres de nosso pequeno Planeta azul perdido no infinito de nosso universo… e como sempre, todo homem e toda mulher queriam ter, possuir mais e mais do que seu vizinho..

  • Mais do que um teto para protegê-los,
  • Mais de uma vaca para dar mais leite do que necessitam,
  • Mais galinhas do que precisam,
  • Mais roupas desnecessárias para cobrir os seus corpos,
  • Mais carros para se locomover de um ponto para o outro,
  • Comendo mais do que seus corpos requerem e etc.,etc..

Esse tremendo crescimento da população no Planeta e a natureza egocêntrica de cada homem e de cada mulher os levou a ter mais e mais desejos, que o mundo desenvolvido transformou em absolutas necessidades.

Seu pequeno lugar já não era suficiente para proporcionar-lhes o excesso que estavam procurando.

Tiveram que ir encontrá-lo em outro lugar.

A população local precisava de salários cada vez mais altos num ciclo infindável, louco.

O custo de produtos manufaturados em seu próprio País faria com que os preços ficassem fora do alcance das pessoas comuns.

Tiveram que procurar lugares em nosso Globo onde pudessem obter produtos a um preço muito mais barato afim de que tivessem um lucro suficiente para pagar a sua equipe de empregados, os salários, as despesas e impostos sempre aumentando… suas próprias necessidades…. etc… etc…

Claro, que isto levou a abusos com o resultado que os riscos se tornaram mais ricos e os pobres mais pobres, contentado-se com o que caísse em sua tigela vazia de pedinte.

Os ricos e poderosos usavam meios antiéticos para obter o que não era deles… a situação, vocês diriam… mas, voltemos atrás na História do homem, sempre foi assim … e parece que nunca mudará.

As guerras são empreendidas e estão acabando mais rapidamente. É a tecnologia: a tremenda habilidade do homem em pensar e inventar máquinas maravilhosas e também meios de matar!!!

Vocês podem pensar que estou pintando um quadro devéras sombrio de nossa civilização Global.

Não estou não, porque é isso que está acontecendo agora e seus efeitos serão sentidos cada vez mais sutilmente e com mais agudeza.

O que fizeram os Fenícios há milênios atrás? Eles exportaram seus produtos para o então mundo conhecido em volta do Mar Mediterrâneo. Criaram um posto comercial (vejam Massilia – hoje Marseilles!!!)…

Os gregos seguiram e os romanos vieram e fizeram de seu Império um Povoado Global e em torno do seu Povoado Global o seu Mare Nostrum ( Mar Mediterrâneo)….

Vejam os Faraós que expandiram seu mundo conhecido ao que hoje é conhecido como Sudão. Também foram ao Líbano para obterem sua madeira…

A Globalização do Yoga estava começando.

Enquanto isso Bharat, hoje conhecida como Índia teve seu próprio Povoado Global onde todos os seus habitantes estavam unidos por uma fé comum: Sanatana Dharma.

Este é o nome real para o Hinduísmo…Videntes (aqueles que podiam ver!!!) e os sábios estavam sempre questionando a existência de Deus.

Através de sua intensa meditação Yóguica e a atuação de Tapas (poderíamos livremente traduzir esta palavra por austeridades, mortificações) estes videntes chegaram à conclusão que Nós Somos ESSE, AQUELE, AQUILO.

Viajantes do mundo todo vieram e ficaram estupefatos com a Cultura de Bharat (da Índia).

Estou me referindo a Alexandre, o Grande que chegou a Índia e ficou tão comovido com um Sadhu despido (um Swami como eu) que não se importou em se levantar ante o homem grego porque ele via a si próprio no imperador. Seus fiéis generais foram encarregados de administrar novos reinos mesclando – se com a cultura indiana.

Estas novas filosofias foram trazidas de volta para a Grécia e para a Europa.

O mundo começava a encolher…..

Viajantes chineses visitaram Bharat ( Índia) e a percorreram de ponta a ponta. Levaram de volta para a China a Meditação em Sânscrito Dhyana ( que o povo chinês deturpou pronunciando Zen ). Também levaram para o resto da Ásia o Budismo, uma vertente do Hinduismo. (Siddhartha era um Swami Sivaita como eu!!!)

O mundo estava encolhendo ainda mais.

O Yoga não poderia ter vindo para o Ocidente numa época mais apropriada para a globalização do Yoga.

A palavra Yoga como todos vocês aqui provavelmente já sabem significa: o ato de União a outro. Este termo deriva da raiz Sânscrita YUJ. Seu significado estando implícito, virtualmente, em todos os seus derivativos, nos quais o objetivo de União da mente e corpo é para alcançar a unidade perfeita, a União de todo o organismo psicossomático a uma idéia única, atuando nos níveis mais profundos, além dos limites dos pensamentos e línguas e fluindo livremente nas correntes de energia que permeiam o espaço e o tempo.

O sistema de União de corpo e mente a “suprema realidade”(qualquer denominação que queiram dar a Deus, Alá, ou qualquer outro nome) foi prontamente aceito pelo Ocidente como perfeitamente compatível com o Cristianismo, Judaísmo, Islamismo ou mesmo Budismo.

Que sistema poderia ser mais Global onde todos podem encontrar sua fé religiosa sem ser tocada, modificada e mais ainda, ajudando-os a chegarem mais perto de sua “Realidade Mais Pessoal?”.

Permitam-me citar o seguinte trecho tirado de um trabalho de Lindquist em seu livro “Die Methoden Des Yoga”: Nenhum sistema de Yoga existe isolado, sendo cada um frequentemente associado com os elementos de outro. Baseando-se nas variações infinitas da natureza humana, seu apelo é tão universal e tão fundamental quanto o instinto arcaico em relação à sobrevivência.

A globalização do Yoga e sua prática é comum em todas as religiões, da mais simples a mais sofisticada, e se conscientemente reconhecida ou não, sua disciplina é responsável pelas realizações de grandes artistas e músicos, de soldados, de estadistas e de cientistas.

Mas, vocês podem perguntar: “O que é o Yoga para este Swami?”

Bem… para mim, como já disse acima, ele me permite a União com o Eterno.

É um fundamento do meu caminho espiritual e dessa Ordem que é do Advaita Vedanta onde não vemos nenhum Deus que tenha uma cabeça ou tenha duas ou muitas, como as pessoas pensam que existe no Hinduismo (vocês conhecem essas centenas de Deuses com muitas cabeças, com muitos braços etc.!!!)

Advaita Vedanta demonstra que só exite uma Realidade Ultima.

Ao darmos um nome a esta última realidade faz com que se torne pessoal e também implica que pode ser dado outro nome.

Não podemos dar também nome como o Uno, pois implicaria que poderia existir um segundo ou nenhum.

Daí sempre falarmos Dele como Aquele. Deixamos a vocês darem o nome que acharem melhor.

Entretanto podemos realmente dizer que Advaita Vedanta não é somente Yoga porque nos une ao Divino, mas também um sistema verdadeiramente espiritual e global por se encaixar em todos os sistemas religiosos conhecidos por nós.

O Ultimo no Advaita Vedanta é verdadeiramente e mais corretamente expresso na simples escritura do Advadhuta Gita de Dattatreya.

 

Citação dessa obra

“Não há nenhum conhecimento ou ignorância e nenhuma prática de concentração”.

“Não há nenhum espaço ou ausência de tempo e nenhuma prática de concentração”.

“Não há tempo ou ausência de tempo e nenhuma prática de concentração. Por que você, que está identificado em tudo e com tudo, se aflige em seu coração?”

“Eis aqui o sem vazio e sem ausência de vazio, sem pureza e impureza, sem o todo e o pote”

E terminei esta pequena apresentação com a última citação do Avadhuta Gita:

“Não há nenhuma distinção do diferente e do não diferente. Não há nenhuma distinção do dentro e do fora, ou da junção dos dois”.

É o mesmo em tudo, destituído de amigo e inimigo.

Por que você, que é a identidade na totalidade aflige seu coração?”

Como alguém poderia ser mais adepto a Globalização do Yoga, ou mais Yóguico..???

Isto nos mostra que não há nenhuma diferença entre ninguém.

É meu sincero desejo que estas poucas palavras os levem a se encantar não só para conhecer mais sobre o Divino que não está somente dentro de nós, mas também os faz sentir como Ele está próximo a nós, Ele que parece estar tão distante de você, está sentado próximo a você.

Ele ou ela é você.

Om muito amor a todos vocês….

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